quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

era hora de comprar pão. a vida seria mais tranquila se você estivesse por aqui, mas tenho de descer sem ninguém ao meu lado. vestiar as calças e passar a mão no cabelo para não parecer que a noite foi um inferno (assim como todo o dia anterior). você estava na porta do meu predio.
sim, eu tentei me desvencilhar.
sim, não queria te ver.
você foi como uma coisa boa que apareceu depois da minha tempestade.
estou bem agora.
quero viver meus momentos só.
você chorou lágrimas sinceras e quis apenas devolver um relógio que estavam nas suas coisas - pegou sem querer.
e eu fiquei pensando quando seria a vez que nunca mais iria te ver.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

novamente me vi naquela cadeira de praia antiga ao seu lado, mas dessa vez um puta sol tosta minhas pernas. não tinha idéia de como começar a conversa, você estava em silêncio. certas coisas precisam fluir e essa fluidez nos escorreu pelas mãos.
eu sinto falta de você e de nossa cumplicidade.
certas coisas não deviam ter um final e por muitas vezes eu imaginei que resistiríamos ao tempo. 
mas agora eu achava tudo chato e enfadonho. não sabia mais como buscar seu colo e não aceitava mais sua mão nos meus cabelos. meu sorriso era mudo. as borboletas em meu estômago a muito voaram e rede nenhuma foi capaz de segurar.
por que me sinto assim?

tratei de abrir a boca e começar a falar. disse que nossas vidas tomaram rumos diferentes. logo eu que não sei nunca pra onde ir.

você me beijou.
você se levantou e foi embora.

nesse momento toda minha eloquencia se esvaiu.


não sei quanto tempo demorou, mas quando voltei suas coisas não estavam mais lá.  seu perfume ainda inundava o corredor. resolvi chorar.

sábado, 3 de janeiro de 2009

eu tenho certeza que você se divertiu muito, mas esqueceu de levar seus sapatos. hoje não vou cuidar de seus cortes, tenho um tratado de diversão para cumprir.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

um dia sei que terei de decidir.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

sentados juntos na velha cadeira de praia dos meus pais. ventinho fresco, uma brisa, não deixa o calor abater nossos humores. tenho que te dizer. mas parece que já é tão tarde.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

assim que saí da sala e desci as escadas sei que você começou a chorar. trazia dentro de si aquela impulsividade e uma ânsia temerosa. tentei sorrir na imagem que me tornei ali na calçada, mas era impossível fazer você parar de se lamentar.
eu tento também me acostumar com metade da cama e as luzes acesas as sete da manhã. com conversas inoportunas, eu na minha introspecção. roo as unhas desesperadamente no ponto de ônibus, esperando uma linha que talvez não exista mais.
a pelo menos dois meses eu acordava de manhã (e também no meio da noite) e via uma pessoa ao meu lado. você mudou para meu apartamento carregando uma mala vermelha em péssimo estado. insistia em deixar sua escova de dentes no mesmo copo que o meu. mas eu não gostava de usar copos. minha escova de dentes ficava sempre deitada em cima da pia. naquele espacinho não cabiam duas.