novamente me vi naquela cadeira de praia antiga ao seu lado, mas dessa vez um puta sol tosta minhas pernas. não tinha idéia de como começar a conversa, você estava em silêncio. certas coisas precisam fluir e essa fluidez nos escorreu pelas mãos.
eu sinto falta de você e de nossa cumplicidade.
certas coisas não deviam ter um final e por muitas vezes eu imaginei que resistiríamos ao tempo.
mas agora eu achava tudo chato e enfadonho. não sabia mais como buscar seu colo e não aceitava mais sua mão nos meus cabelos. meu sorriso era mudo. as borboletas em meu estômago a muito voaram e rede nenhuma foi capaz de segurar.
por que me sinto assim?
tratei de abrir a boca e começar a falar. disse que nossas vidas tomaram rumos diferentes. logo eu que não sei nunca pra onde ir.
você me beijou.
você se levantou e foi embora.
nesse momento toda minha eloquencia se esvaiu.
não sei quanto tempo demorou, mas quando voltei suas coisas não estavam mais lá. seu perfume ainda inundava o corredor. resolvi chorar.